Todas as crenças europeis, sejam elas religiosas ou politicas têm por detras de si o primeiro capitulo do Génesis, do qual se infere que o mundo foi criado tal como devia ser, que o ser é bom e, por consequencia, que procriar é uma coisa boa. Chamemos a esta crença fundamental 'acordo categórico com o ser'.
Se, ainda recentemente a palavra Merda era substituida nos livros por três pontinhos, não era por uma questão moral. Apesar de tudo, ninguém pode pretender que a merda seja imoral! O desacordo com a merda é Metafísico. O instante da defecação é a prova quatidiana do carácter inaceitável da criação. Das duas uma: ou a merda é aceitável ( então porque se fecham na casa de banho?? ) ou a maneira como nos criaram é que é inadmissivel!
Daqui se infere que o 'acordo categórico com o ser' tem como ideal estético um mundo onde a merda é negada e onde todos se comportam como se ela não existisse.
Esse ideal estético chama-se 'KITSCH?
Milan Kundera, 1983
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