Os homens que têm a mania das mulheres dividem-se facilmente em duas categorias. Uns procuram em todas as mulheres a ideia que eles próprios tem da mulher tal como ela lhes aparece em sonhos, o que é algo de subjectivo e sempre igual. Aos outros, move-os o desejo de se apoderarem da infinita diversidade do mundo feminino objectivo.
A obcessão dos primeiros é uma obcessão Lírica ; o que procuram nas mulheres não é senão eles próprios, não é senão o seu próprio ideal, mas ao fim e ao cabo, apanham sempre uma grande desilusão, porque como sabemos, o ideal é precisamente o que não se encontra!
A outra obcessão é uma obcessão Épica e as mulheres não vêm nada de comovente: como o homem não projecta um ideal objectivo, tudo tem interesse e nada pode desiludi-lo. E esta possibilidade de desilusão encerra em si algo de escandaloso. Aos olhos do mundo, a obcessão do femeeiro épico não tem remissão ( porque não é desgastada pela desilusão ).
Na sua caça ao conhecimento, os femeeiros épicos afastam-se cada vez mais da beleza femenina convencional e acabam infalivelmente como colecionadores de curiosidades....
Milan Kundera
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