Thursday, September 25, 2008

Do cofre

Postado por Paulo Coelho em 23 de Setembro de 2008 às 00:23

Nuri Bey era um homem rico e sábio, que se casou com uma mulher mais jovem e mais bela.

Certa tarde, um de seus servidores lhe disse: “sua mulher guarda no quarto um baú que pode esconder um homem. Ela não me deixa limpá-lo ou abri-lo”.

Nuri Bey foi ao quarto da mulher. “O tem que dentro do baú?”, perguntou.

“Roupas”, respondeu a mulher.

“Então me dê a chave”, insistiu Nuri Bey.

Com lágrimas nos olhos, a mulher obedeceu. Nuri Bey ficou um longo tempo com a chave na mão, mas não fez nada.

Ao cair da noite, chamou jardineiros, e mandou que atirassem o baú no fundo do lago; jamais soube o que havia ali dentro.

Diz o dervixe kalandar que contou esta história: existem certas coisas que, se tentarmos resolvê-las pela razão, estamos perdidos. É melhor simplesmente afastá-las de nossas vidas.

Wednesday, September 17, 2008

Reflexões

A vida continua.. Por mais que queiramos, qualquer que seja o obstáculo que enfrentamos temos de se capazes de o ultrapassar. É nesses momentos que nos sentimos mais poderosos e confiantes nas nossas capacidades. Mas todos os dias vemos pessoas a desperdiçar todo o seu potencial para o meu da rua, esgotos a baixo. A vida realmente não dura muito tempo, por isso não será de estranhar que a maioria de nós leva á letra o carpem die, fazendo dela o estandarte de uma campanha que não dura muito. Até porque a vida acaba por englobar várias fases da nossa vida certo??? Todos passamos a infância na brincadeira com jogos que já ninguém lembra. Mais tarde veio a adolescência e o desabroxar da puberdade e todas as consequencias subjacentes. Depois a universidade, onde tal como um oásis que nunca tem fim, se descobrem novos rumos e sentidos e, onde acima de tudo nos formamos como pessoas! Depois disso, ou tornamo-nos workahollics ou levamos a vida mais pacata que podemos. E daí surge uma bela questão, será que queremos ser os meros pacatos a ver o comboio passar e a vida seguir o seu rumo de modo lento e previsivel??? Ou será que a nossa demanda deverá ser de fasquia mais elevada e dar-mos sentido á vida que criamos e deixarmos um contributo mais significativo na sociedade??? Se por um lado esta nossa pacatez tipica é agradável e confortante, o tédio também aparece e substitui o animo que lá existia. Nós na vida damos sempre sentido a tudo o que nos rodeia e a todos os acontecimentos que nos vão marcando no dia a dia. Mas isso é do espirito cada vez mais critico que nos é incutido pela própria sociedade. E tal como esse espirito critico, também a visão de que vivemos num mundo cada vez mais abrangente e megalomeno ao alcance de todos. Basta apenas que tenhamos vontade. Mas também aqui se vê que tal como tudo na vida, só temos de desejar que as coisas aconteçam!!! Mas é um acreditar piamente!!! Mas acima de tudo ter sempre em mente, que não basta acreditar!!! Há que se fazer pela vida!!!!

Tuesday, September 16, 2008

Alguns apontamentos de Paulo Coelho

Kazantzakis e Deus

Durante toda a sua vida, o autor grego Nikos Kazantzakis (Zorba, A Última Tentação de Cristo) foi um homem absolutamente coerente. Embora abordasse temas religiosos em muitos de seus livros – como uma excelente biografia de São Francisco de Assis – sempre considerou a si mesmo como um ateu convicto. Pois é deste ateu convicto, uma das mais belas definições de Deus que eu conheço:

“Nos olhamos com perplexidade a parte mais alta da espiral de força que governa o Universo. E a chamamos de Deus. Poderíamos dar qualquer outro nome: Abismo, Mistério, Escuridão Absoluta, Luz Total, Matéria, Espírito, Suprema Esperança, Supremo Desespero, Silêncio. Mas nós a chamamos de Deus, porque só este nome - por razões misteriosas – é capaz de sacudir com vigor o nosso coração. E, não resta dúvida, esta sacudida é absolutamente indispensável para permitir o contacto com as emoções básicas do ser humano, que sempre estão além de qualquer explicação ou lógica”.

Ben Abuyah e o aprendizado

O rabino Elisha ben Abuyah costumava dizer:

“Aqueles que estão abertos às lições da vida, e que não se alimentam de preconceitos, são como uma folha em branco, onde Deus escreve suas palavras com a tinta divina”.

“Aqueles que estão sempre olhando o mundo com cinismo e preconceito, são como uma folha já escrita, onde não cabem novas palavras”.

“Não se preocupe com o que já sabe, ou com o que ignora. Não pense no passado nem no futuro, apenas deixe que as mãos divinas tracem, a cada dia, as surpresas do presente”.

Da margem

No livro “Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei”, Pilar pede a seu amado que quebre um copo, enquanto jantam num restaurante.

“Sim, quebrar um copo. Um gesto aparentemente simples, mas que envolve pavores que nunca compreenderemos direito. É o proibido. Copos não se quebram de propósito; quando entramos em restaurantes ou em nossas casas, tomamos cuidado para que copos não fiquem na beira da mesa. Morremos de medo de quebrar copos”.

“Entretanto, quando sem querer derrubamos um, vemos que não é tão grave assim. O garçom diz ‘não tem importância’, e ‘nunca vi um copo quebrado ser incluído na conta do restaurante’”.

“Quebrar copos faz parte da vida; faça isto agora, mesmo que a gente tenha que pagar depois. Às vezes, um gesto bobo nos liberta de preconceitos malditos, da mania de explicar tudo, de só fazer aquilo que os outros aprovam”.

Monday, September 1, 2008


Pequena história contada por Paulo Coelho em 01 de Setembro de 2008

Nasrudin foi convidado para uma festa na casa de um homem rico. Apareceu com a túnica surrada e o turbante gasto pelo tempo.

O anfitrião mandou-o embora. Nasrudin foi à casa de um amigo, pediu suas roupas emprestadas e retornou à festa.

Desta vez, foi bem recebido e colocado em um lugar de honra.

Durante o banquete, Nasrudin ía jogando as frutas e a comida pela manga da túnica. “O grande sábio está calado e se comportando de maneira estranha”, disse o dono da casa.

“A vaidade humana prefere a aparência ao conteúdo” respondeu Nasrudin.”Cheguei como sou e o senhor não me recebeu. Mudei de roupa e me aceitaram.Então, fico quieto, já que minha palavra não interessa. E dou de comer a estas roupas, as verdadeiras convidadas da festa”.